20 / jan

O consumo da soja na menopausa

Inaugurações

A Organização Mundial da Saúde classifica o climatério como uma fase biológica da vida que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher, o qual menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo menstrual, somente reconhecida pela ausência de menstruação por um período de 12 meses consecutivos e acontece geralmente em torno dos 48 aos 50 anos de idade.

A menopausa é caracterizada por diversas mudanças que compreendem alterações na composição corporal, incluindo osteoporose, perda de massa magra, aumento e redistribuição da adiposidade, transpiração noturna, ressecamento vaginal e/ou diminuição da libido sexual, distúrbios do sono, ondas de calor e/ou sudorese, ansiedade, alterações de humor, bem como alterações psicológicas relacionadas à depressão e ao pânico.

As terapias de reposição hormonais vêm sendo utilizadas nas últimas décadas no sentido de melhorar tais sintomas. Entretanto, e apenas 20% das mulheres prosseguem com o tratamento, sendo que as demais abandonam devidos os efeitos colaterais (sangramento irregular, mastalgia, náusea, cefaléia, ganho de peso e retenção hídrica) além do receio de desenvolver câncer.

Além disso, um grande número de mulheres apresentam contra indicações específicas à reposição hormonal com estrógenos, por isso busca por tratamentos alternativos, capazes de promover benefícios a tais sintomas, sem que traga efeitos colaterais e sem contra-indicações, são cada vez mais visado.

Evidências epidemiológicas demonstram que o consumo de soja pode ser uma das alternativas para a redução de alguns destes sintomas da menopausa. Tal interesse surgiu a partir de estudos epidemiológicos sobre a ausência de ondas de calor (fogachos) em mulheres de países asiáticos, devido a presença de um fitoestrógeno, chamado isoflavona presente na soja. Nestes locais constataram o consumo de soja elevado diminuía a frequência de fogachos na menopausa, diferente do que acontecia com mulheres em países ocidentais.

Pertencente à família das leguminosas, a soja é a única fonte de proteína de origem vegetal que possui todos os aminoácidos essenciais, sendo considerada de alto valor biológico. Seus grãos são ricos em gorduras, com predomínio de ácidos graxos poliinsaturados – ácido linolênico (ômega 3) e ácido linolêico (ômega 6), sendo este o mais abundante. Considerada boa fonte de vitaminas, minerais e fibras.

A soja ainda contém cerca de 1 a 3 miligramas (mg) de isoflavonas por grama (g) de proteína, o que desperta interesses nos pesquisadores por ser rica neste fitoestrógeno, considerado um composto químico não hormonal, com estrutura semelhante à dos hormônios estrogênicos humanos, que desempenham, além de propriedades antioxidantes, papel de moduladores seletivos nos receptores de estrógenos.

As isoflavonas atuam como hormônios apresentando a vantagem de não causar efeitos colaterais, como aqueles observados em pacientes que fazem tratamento com hormônio sintético, sendo a atividade das isoflavonas 100 mil vezes mais fraca, apesar da estrutura semelhante.

A Sociedade Norte Americana de Menopausa (NAMS) publicou em 2000 o seu Consenso a respeito do uso de isoflavonas como terapia para mulheres na menopausa, o qual sugere as seguintes doses e posologias para isoflavonas: na redução de colesterol usar 50mg/dia (equivalente ao consumo de 25g de proteína de soja) e no tratamento de fogachos usar 40-80mg/dia, porém considera prematuro a recomendação de quantidades específicas de isoflavonas na prevenção de doenças crônicas e tratar sintomas específicos da menopausa.

Embora a Anvisa aprove o uso de isoflavonas somente para o tratamento dos fogachos e redução dos níveis séricos de colesterol, ela tem demonstrando uma alternativa interessante para mulheres neste período crítico e que apresentam contra-indicações à reposição hormonal. E cabe ressaltar também que as baixas ocorrências de efeitos colaterais, assim como o rápido aparecimento dos efeitos desejados, traduzem em maior aceitação e entusiasmo pela continuidade do tratamento.

Essas informações não dispensam acompanhamento do médico ou nutricionista.
Michele Gonçalves
Nutricionista CRN 10-3378

Fontes:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008.

DIAS, Rodrigo; et.al. O treinamento de força melhora os sintomas climatéricos em mulheres sedentárias na pós-menopausa. ConScientiae Saúde, 2013;12(2):249-258

FRIAS, A. D.. Eficácia de um alimento à base de soja na sintomatologia da menopausa. Revista Nutrição em Pauta. Edição Jul/Ago 2003;11(61):35-40.

LIVINALLI, A..; LOPES, L. C. Avaliação das prescrições de isoflavonas para mulheres no climatério em cidade de médio porte do Estado de São Paulo. Rev Ciênc Farm Básica Apl. 2007;28(2):185-91.

OLIVEIRA, V. R.. Os benefícios das isoflavonas da soja na saúde humana. Revista Nutrição em Pauta. Edição Nov/Dez 2003;11(63):21-4.

SANCHES, T. R., et al. Avaliação dos sintomas climatéricos na mulher em menopausa e pós-menopausa em uso de proteína isolada de soja. Health Sci Inst. 2010;28(2):169-73

VALENÇA, C. N.; GERMANO, R. M.. Concepções de mulheres sobre menopausa e climatério. Rev. Rene. Fortaleza, v. 11, n. 1, p. 161-171, jan./mar.2010.

North American Menopause Society – NAMS. The role of isoflavones in menopausal health: Consensus Opinion of The North American Menopause Society. ). Menopause. 2004;11(1):11-33.

North American Menopause Society – NAMS. The role of soy isoflavones in menopausal health: report of The North American Menopause Society/Wulf H. Utian Translational Science Symposium in Chicago, IL (October 2010). Menopause. Vol. 18, No. 7, 2011.

 

 

 

 

 

 

NOVIDADES E LANÇAMENTOS

Fique por dentro de todas as novidades exclusivas.

    SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS: